terça-feira, 13 de setembro de 2011

limite entre dança e transe (2)

Spanish Dancer (1879-82), John Singer Sargent.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

limite entre dança e transe


Exils, 2004, direção de Tony Gatlif

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

quanta

"- Quero perguntar-te uma coisa. De que matéria somos feitos? De onde vieram esses átomos que formam o nosso corpo?
Lorens respondeu, a olhar para o céu antigo.
Foram criados juntamente com estas estrelas e este rio que estás a ver. No primeiro segundo do Universo.
Então, depois desse primeiro momento de Criação, nada mais foi acrescentado?
- Nada mais. Tudo se moveu e se move. Tudo se transformou e continua a transformar-se. Mas toda a matéria do Universo é a mesma há um milhão de milhões de anos. Sem que um átomo sequer tenha sido acrescentado.
Brida ficou a olhar o movimento do rio e o movimento das estrelas.
Era fácil perceber o rio correndo sobre a Terra, mas era difícil notar as estrelas a moverem-se no céu. Entretanto, um e outro moviam-se.
- Lorens - disse por fim, depois de um longo período em que os dois ficaram em silêncio vendo um barco a passar. - Deixa-me fazer-te uma pergunta que pode parecer absurda: é fisicamente possível que os átomos que compõem o meu corpo tenham estado no corpo de alguém que viveu antes de mim?
Lorens olhou para ela, espantado.
O que é que estás a pretender saber?
Só isto que te perguntei. E possível?
Podem estar nas plantas, nos insectos, podem ter-se transformado em moléculas de hélio e estar a milhões de quilómetros da Terra.
- Mas é possível que os átomos do corpo de alguém que já morreu possam estar no meu corpo e no corpo de uma outra pessoa?
Ele ficou quieto por algum tempo.
- Sim, é possível - respondeu finalmente.
Uma música distante começou a tocar. Vinha de uma barcaça que atravessava o rio e, mesmo à distância, Brida podia distinguir a silhueta de um marinheiro emoldurada pela janela iluminada. Era uma música que lhe lembrava a adolescência e lhe trazia de volta os bailes na escola, o cheiro do seu quarto, a cor da fita que costumava usar no rabo-de-cavalo. Brida percebeu que Lorens nunca tinha pensado no que ela acabara de lhe perguntar, e que naquele momento talvez estivesse a procurar saber se no seu corpo estariam átomos de guerreiros vikings, de explosões vulcânicas, de animais pré-históricos e misteriosamente desaparecidos.
Mas ela pensava noutra coisa. Tudo o que queria saber era se o homem que a abraçava com tanto carinho tinha sido, um dia, parte dela mesma."

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

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30 x 25 cm, edição de 100, óleo sobre tela tensionada

domingo, 17 de julho de 2011

requiem (1)

nunca se perde o que nao se tem. mas se sente dor mesmo por aquilo que nao existe.
nao acredito em fantasmas, e eles sempre estao do lado do meu travesseiro.
a dor pode ser infinitamente menor que um ferimento, e mais profunda que uma cratera lunar.
hoje minha alma foi sepultada em uma.
e meu coracao em outra.
alias, se hoje nao estivesse vivo, queria meu funeral la.
longe dos meus desejos desmedidos.
longe para proteger minha amada de mim mesmo.

onde quem estivesse alto
apaixonado
ou solitario
pudesse ver
a personificacao da ressaca

domingo, 10 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011